quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Rio Paiva na sua passagem por Pinhero

Esta parte do rio é uma entre muitas as que se conhecem, (o Rio Paiva na sua passagem por Pinheiro) que fazem as delícias dos que aqui vivem e ainda mais, dos que aqui viveram e vêm tal como eu para passar férias.


Pinheiro, uma freguesia que alberga um grupo significativo e aldeias, tem muito do que se orgulhar, quer pela igreja ostentando os seus altares de talha dourada, quer pelo rio que passa mesmo ali a seus pés, de uma forma lenta e tranquila no verão e de uma forma brusca e rápida no Inverno, pelas fortes correntes que constituem várias passagens de pura espuma tão branca que faz pasmo a quem passa na estrada.


Desta vez vim por aqui ver como se comporta então esta parte do rio e observei as pessoas que nadavam enquanto eu tentava decifrar algo sobre esta ponte de pedra, que dá passagem ao outro lado da serra de Reriz.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Simplesmente Arte (David Ferreira)




David Monteiro da Silva, Nascido 3 de Junho de 1934, na Aldeia da Relva, freguesia das Monteiras concelho de Castro Daire. Casado com Maria Leonida Dias Moreira com quem teve 2 filhos. Adelino e Joaquina Silva. Tem várias paixões que lhe conferem um estilo muito próprio, o de um homem que vive em plenitude rodeado pela natureza e por tudo o que ela oferece. Homem tipicamente serrano, gosta de cantar o fado à desgarrada, fez parte durante cerca de 15 anos do rancho folclórico da Relva. Ainda hoje, ele os seus companheiros, alguns do serviço militar, marcam uma desgarrada todos os anos em Agosto, a qual tem a duração de um dia e parte da noite. Migrou para Lisboa, onde viveu alguns anos mas é neste local onde cresceu e se fez homem, rodeado, pela montanha, trabalhando a terra e fazendo pastorícia, que se encontra actualmente. Nos tempos livres faz recolha de algum material que a paisagem lhe oferece, para esculpir as suas peças. Este local é forte pela predominância do granito e madeira, contudo tem algumas peças esculpidas, onde o material utilizado é a pedra hitongo, que um amigo faz questão de lhe trazer de fora.





O tema predominante nas suas peças é baseado na arte sacra, e isso é devido á influência religiosa, da Igreja Católica a que as gentes destas terras sempre estiveram sujeitas. Assim, em vários locais da aldeia, encontramos algumas esculturas, como; Matosinhos, são João Baptista, St António, Sagrada Familia, São José, Santa Quitéria, Senhora da ouvida e Sagrado Coração de Maria.




Nascido e criado neste ambiente serrano, a sua arte apresenta, algumas figuras características da serra, assim como instrumentos de trabalho, e instrumentos musicais.
(D. Leonida, fez questão de nos presentar a com uma peça muito característica das aldeias serranas; A capucha, uma peça de vestuário que serve ainda nos dias de hoje, para proteger do frio. É feita de burel, ou seja de lã de ovelha, fiada e tecida no tear – um outro tipo de arte artesanal, saída das mãos da mulher).








A Senhora da Ouvida peça que ele tem em vários registos, é uma Santa muito visitada principalmente no dia da Feira anual, onde se realiza a missa e se desfila o andor à volta da capela. Este é um local muito próximo da sua aldeia.



A primeira peça que esculpiu, foi em Lisboa, local onde iniciou a sua arte quando por lá viveu, mas as influências tinha-as adquirido aqui, na sua aldeia. Enquanto jovem construía pequenas peças, mas sem lhes atribuir grande valor, a não ser aquele que ele próprio atribuía, por se tratar de afirmar a sua verdadeira paixão pela Leonida, hoje sua esposa. Os seus encontros para se tornarem mais fáceis no que toca à acessibilidade do local, David construía aviões, que segundo ele eram maquetas que iriam servir para construir pequenas avionetas para que a sua amada pudesse chegar perto dele o mais rápido possível. Leonida, sorri mas com um brilho no olhar pela constatação ainda hoje de um sentimento nobre que a conquistou e a conduziu até ele.
É quando regressa de Lisboa definitivamente, que a sua arte se desenvolve através da recolha de material que vai esculpindo para ocupar os tempos mortos entre o granjear da terra e a pastorícia.



**********************************************************


Nota: Lamentavelmente as entidades competentes em Castro Daire, ainda nada fizeram para mostrar o seu trabalho ao publico em geral. Uma demonstração do seu trabalho no Museu seria o ideal para dar assim a conhecer a grandeza e a boa vontade deste homem simples, trabalhador da terra e buscando sempre novos horizontes

Não te sei



Sei-te com dor
Mas não te sei perto
Nem longe
Não te sei!

Nem me consigo lembrar
Da cor dos teus olhos
Quando choras
E deixas cair uma só lágrima
Nas minhas mãos vazias

Esta lonjura imensa
Este degredo
Em que m’encontro

Não sei como subir
Ao alto da serra
E gritar
Simplesmente gritar
O teu nome
*********************
Dolores Marques


Homenagem a David Ferreira (escultor da aldeia da Relva em castro Daire), que se encontra gravemente doente

terça-feira, 23 de agosto de 2011



Algumas imagens de um local que me ensina a respirar. (Serra de Montemuro)














A aridez destes lugares despertam-nos para outros mundos, onde as formas se apresentam de uma forma invulgar, talvez com uma certa altivez, que me faz sentir que tudo é assim porque tem que ser, tudo se compõe atravé...s de uma brisa, ora leve e suave, ora repentina e espalhafatosa como que a dizer; aqui o céu é mais azul apesar da neblina que se avista ao longe, tal a distância que nossos olhos alcancam rumo a novas descobertas, onde o olhar é mais genuíno e verdadeiro. Aqui é um lugar para se aprender ou reaprender a viver, ou talvez mas tão só, SER.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os Resistentes (Cont)







O meu primo João e a esposa Aida, pertencem ao grupo dos resistentes que aqui se mantém, quer trabalhando a terra quer na reconstrução das casas antigas. Esta é uma casa com cerca de 200 anos, que pertenceu a minha avó Livia e faz parte do património de meus pais. A casa onde nasci. Ao chegar perto, deparei-me com uma mulher que segundo me disse a minha mãe, faz de tudo, até ajudar na construção. Uma mulher elegante, e bonita, cabelo longo e escuro que se vê soltar-se por debaixo do boné. As telhas saltavam das suas mãos e os seus passos tão ligeiros, e muito mais do que a minha objectiva, para lhe captar os movimentos. Quando olho este casal, fico feliz por saber que se mantém firmes e dedicados à terra onde nasceram. Aqui sobrevivem nesta aridez e sem baixarem os braços dignamente se revezam nos revezes que a vida tem.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Às Escuras Encontro-te - O Livro


Nota de Autor:
Esta é a minha comunicação ao leitor, passando pelo crivo que me traz sempre uma nova forma de pensar, sujeitando-me às ideias impostas pelo meu subconsciente, consciencializando-me a mim e a vós, de que há muito para sentir, há muito para ver, há muito mais ainda para esclarecer, num mundo de imagens que nos são direccionadas de fora para dentro, passando para o exterior através de outras mais límpidas e transparentes. Mas será que esse interior de cada um de nós, servirá de ponte para que os elos sejam dourados na magnificência das cores, dos movimentos, das semelhanças, caracterizando um “modus vivendus” actualizado? Previno-vos que este livro se adequa apenas ao leitor pronto e de espírito liberto. E questiono-me se esta será a melhor literatura que haverá no momento. Pois…
Não se trata de romance, não se trata de ficção, nem tão pouco de narrativa, mas será sim uma autêntica ficção dentro de um mundo que se nos apresenta fictício, descrevendo os contornos de uma história que poderia ser verdadeira, que poderia transformar este livro, numa autobiografia. De biográfico tem pouco. É somente um momento nos diferentes compostos químicos, auto-merecedores de atenção, bio-compostos por fragrâncias libertas para a atmosfera. Ele, transporta-nos para esse mundo do qual tentamos sempre fugir, a não ser que tenhamos a capacidade de podermos assumir-nos nas nossas mais eloquentes formas, umas vezes bizarras, outras inseridos numa compilação vs normalização dos gestos diários.
No capítulo II, escrevi:
Este é mais um degrau na subida vertiginosa que se apresenta em várias partes do meu corpo. Uma visita guiada pelas minhas experiências enquanto necessidades básicas do meu corpo, da minha mente e do meu espírito. Este é um mundo onde me poderão encontrar, encontrando-se, basta que para isso, saibam viajar comigo através das nossas semelhanças e aí, seremos um só, numa caminhada silenciosa por entre uma multidão. Pensei nas ferramentas adquiridas, e que talvez tenham uma quota parte de responsabilidade por estas experiências de cariz transcendental. Tudo aconteceu ao mesmo tempo. Abriram-se canais, sujeitei-me a Ti, numa viagem até aos confins do Universo, e dei comigo a escrever sobre isso, começando por descrever a primeira viagem, passando pela minha visão do reiki, corpo espelho, meditação, chikung…etc. Dêem-me a honra da vossa presença e garanto que há sítios escondidos debaixo das minhas palavras que não conhecem:
Se quiserem então viajar num espaço inédito, sujeito às várias circunstâncias que este livro nos apresenta, terão que abrir as portas e, assim sendo, colocar-vos-ei perante uma só palavra - AMOR.
É este o mote do livro. Amor em todas as vertentes socializadas vs sociabilizadas, por força maior de uma mente que se fechou ao mundo externo durante duas semanas e viveu e plenitude dos mundos extra-sensoriais e de tudo o que a vossa imaginação puder alcançar.
A saber pelos capítulos:
Capitulo I- Versando o Amor: Um amor meu, aquele amor que sabemos que existe mas que nunca sentimos a entrar-nos pela porta da frente. Um sentir silencioso, quente, que nos diz de outras realidades extra-sensoriais. “Há um prenúncio de qualquer coisa mesmo antes de o ser… Esmiúço os sentidos até descobrir o que me leva por estes meandros da vida já gasta…”
Capítulo II - Energias subtis, outra forma de amor: Um encontro com outras realidades que versam o amor em termos práticos, mas ao mesmo tempo sob a forma de energia em movimentos subtis. Uma forma de estar e viver segundo conceitos básicos de como se ser Pessoa no meio de tantas as que conhecemos, e que sem saberem como por vezes actuar para serem pessoas, o vão sendo. Foram também estas práticas que me levaram ao encontro do encontro amoroso de que falo neste livro, e que vivendo em mim em forma de Amor, é uma forma de estar que me dá prazer. Aqui, irão ter contacto com algumas informações básicas do conhecimento geral sobre reiki, sistema de corpo espelho, meditação, chikung…etc.
Capítulo III – Cá e Lá - A Ponte: Após o capítulo anterior, chegou então o momento de vos fazer chegar as minhas experiências pessoais a um nível subtil e transcendendo o da realidade física, indo ao encontro do amor que me visita nas noites em que me abro a ELE. Forças do além, amor feito energia residindo em mim ? Seja o que for, e os nomes que lhe queiram dar, foi sentido no meu corpo de uma forma intensa. “Penso-Te e estás presente no momento, numa sintonia perfeita”
Capítulo IV – Vale do Silêncio: Encontros numa realidade que é a nossa, aqui nesta terra que nos viu nascer, onde os corpos se tocam e os olhares se cruzam para um amor prestes a acontecer. Mas algo impede esta ligação que nos poderia levar à prática de “um sexo sedutor”, após os toques e carícias de almas solitárias. Sou apenas acolhida por um vale do silêncio que se alonga a cada dia passado. “O seu brilho ténue, conduz-me para o meu silêncio e enrosco-me no seu círculo mágico”.
Capítulo V – Outros Sons: O último capítulo do livro, encerrando-o por ter finalmente encontrado o mesmo tipo de energia que me lo fez escrever. No entanto, os sons tornam-se deveras evidentes que são só audíveis para mim. Existe talvez uma força que desconheço e que está em redor de mim, para me lembrar que o conhecimento da verdade não está ainda na mesma proporção com o que espero da vida. O AMOR, encontra-se num caminho único onde se encontra tudo o resto. Este encontro final teve como ponto de partida, um ponto a tocar o infinito, estendendo-se esta trama de um nível “mais terreno”, terminando com um poema “Quero que sintas que por ti eu sou”.
Espero sinceramente que este livro vos diga algo e faça algum sentido a todos de vós.

Dolores Marques



************************

Apresentação dia 26 de Março de 2011, pelas 18h30, Campo Grande, 56 - Lisboa

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

De Manuel Araújo da Cunha - às vezes escrevo fora dos livros




Embrenhei-me nas montanhas sobranceiras à Paiva ( rio Paiva) a que eu gosto de chamar no feminino) e não sei se venho dos lados da serra de Montemuro ou se me deixei ficar numa das aldeias dispersas pelos montes. Sei que ao ler esta escrita, mergulho nesse mundo rural quase esquecido mas depositário de belezas raras, de cheiros inimagináveis, palco... sobrevivente às imensas cenas ali representadas ao longo de séculos. Quase todos partiram deixando a terra ao abandono, quase sozinha nessa luta desesperada contra a desertificação.
Há casas abandonadas, ruas inteiras onde só o vento caminha solitário. Há roseiras em beirais que deixaram há muito de ter água, há campos onde o arado não rasga a terra outrora produtora de pão. Há fantasmas a percorrer as noites, sombras de gente que já não mora ali mas deixa o pensamento regressar em busca de um tempo feliz ali vivido. Ás vezes percorro esse espaço para sentir o clamor das saudades, ver de perto, ser testemunha ao menos, da agonia de um país que deixou de honrar-se a si próprio e perdeu as referências maiores da sua história. Se me ponho a pensar em tudo sentado numa pedra à beira da Paiva, é por que por mais que tente encontrar explicação para semelhantes crimes, nada de nada me ocorre perante a realidade que me cerca.
Esta é a reflexão que me aparece ao ler este texto, o acenar de cabeça de quem concorda com a escrita. Palavras, são apenas palavras mas têm o poder de despertar a história de um povo.
Deixo a serra ou vale onde corre um rio que não é o meu com a certeza que a Paiva, mais hora menos hora, há-de encontrar-se com o Douro e então este rio que é o meu, vai saber de tudo o que se passa nas montanhas.

Manuel Araújo da Cunha
http://dourointeiro.blogspot.com