quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

TU

Sentir-Te em todos os lugares como se não houvesse mais caminhos abertos...só um "Tu" para lá do Portal Maior do Templo.

ÔNIX (Dolores Marques)
Ermida no Montemuro.

Ermida


Sentir a clara "embriaguês" de um sonho nas asas do vento, que sobre as aguas do rio, flui, como se flutuasse sempre nos corpos nus...
ÔNIX
Ermida - Montemuro.

Intimidade

Ainda que me não existas, sinto-Te na intimidade da linguagem do tempo 
ÔNIX
Paisagem natural com um olhar da Ermida, Montemuro.

Não se confundam

Não se confundam 
Com as raízes tenras
Que possam vislumbrar ainda
Debaixo das plantas dos meus pés

A terra é funda
As sementes leves
Os rochedos firmes 
Os xistos apaziguadores
E os granitos a dura realidade
Dos olhos encovados

Não se confundam com a noite
A nascer-me por dentro
A clara lucidez do sentir
Ainda teima junto ao fogo
Que arde na lareira funda

Não se confundam
Com os dias pares
Que na imparidade de um gesto
A vida cobra quando desce 
A Estrela Guia
De todas as noites caídas
No meu colo

Não se confundam agora
Que amanhã é tarde 
Para ouvirem o canto 
Dos pássaros
No meu telhado

Não se vislumbrem
Com as lágrimas caídas
Que nem sempre a noite
Tece angústias
No verde dos campos

Antecipem o momento
E vivam a derradeira história
Das levadas no cimo dos montes
E ouçam o esvoaçar das águias
Sobre o caminho das águas

Não se confundam hoje
Que à noite o Sete-Estrelo
Copula com a Estrela Guia
E o parto é o presumível sonho
Do vosso sono

Não queiram arrancar raízes
Onde elas cessaram
Por conta de uns poemas
Que meus pés escreveram
No chão que pisaram

Ouçam agora o último grito
Dos rebanhos
Sobre o verde da erva
Dos lameiros

E não se confundam
Pois o tempo melodioso 
No badalo do sino 
A dançar sobre os meus pecados
Ainda não cessou

Dolores Marques.
Dedico a Glória Ferreira, minha Tia, que se encontra já debilitada, com os seus 96 anos.