quarta-feira, 5 de agosto de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Coração da terra
(...)
Isolados, no meio da serra trabalham a terra, e com ela remedeiam a vida
que lhes é cruel e pouco lhes dá. Não
fosse pela forte ligação à natureza, poderia dizer-se serem escravos de si
mesmos numa terra árida e agreste, a terra da má sorte. Porém, a mesma
natureza oferece-lhes alguns raios de sol e uma fresta de luz que vem do céu
nítido e brilhante, tal como alguma liberdade de pensamento.(...)
Dolores Marques in "Coração da Terra" (a editar)
terça-feira, 30 de junho de 2015
Coração da terra
Terra rude mas ao mesmo tempo aconchegante, como uma mãe está sempre para abraçar um filho ausente. Terra sem idade, agreste, selvagem mas plena e sem vertigens nos olhos.
Dolores Marques in "Coração da Terra"
Direitos de autor reservados. Conteúdo do blogue registado no IGAC
Dolores Marques in "Coração da Terra"
Direitos de autor reservados. Conteúdo do blogue registado no IGAC
Coração da Terra
(...)Penetrar nestas histórias é o mesmo que saltar de pedra em pedra nas correntes baixas do rio, ao permitir que uma lágrima se interponha entre o musgo esverdeado de uma corrente esquecida. Do outro lado, a margem sequiosa de ventos e brisas, aguarda pelos novos caminhantes sobre as águas. Dali subiremos a encosta para a serra de Reriz. Deixo-me seduzir pelos cânticos eclesiásticos das águas.
Estes cânticos, são nada mais do que água benta a salpicarem novos movimentos.
que quero passar sorrindo
as lágrimas que canto
já foram rio abaixo
os olhos que chorando
já se ouvem em sorrisos quentes.
Andar ou aprender a caminhar no meio de algumas sombras, e não à sombra de algumas variáveis desajustadas ao meio em que se vive, é muitas vezes o ponto de intersecção onde nasce a luz, quando desta surgem novos pontos em cruz, cessando a dicotomia existente entre uma variável e outra.
Todos os dias são dias para aprender ou desaprender, assim como os são para o amor ou desamor. Todos os dias são vida a manifestar-se por vários caminhos.(...)
Dolores Marques in "Coração da Terra"
(Direitos de autor reservados. O conteúdo deste blogue está registado no IGAC)
Coração da Terra
(...)

Precisava sentir-se protegido nos momentos de solidão, quando até a fome decidia esburacar-lhe o estômago. Ficava ali a cirandar até ouvir o som das vestes do padre a arrastarem-se pelo chão.
Olhava mais do que uma vez, uma a uma, as pedras com que construíram o mosteiro. Era notório que cada qual, teria uma simbologia muito própria, mas descobrir o significado daquelas siglas era ainda um mistério insondável.
As siglas e as figuras esculpidas na parte exterior, assim como toda a história envolvente, na sua forma arquitetónica, levou a igreja à categoria de Monumento Nacional.

A escola estava longe dos seus horizontes. Não as havia. E as que porventura houvesse, não seriam para os camponeses. No entanto, e apesar do analfabetismo que caracterizava grande parte da população, havia uma predisposição para aprender outras artes. Desde trabalhar a madeira, o ferro, o barro, a tecelagem, o linho, etc.
Outras viviam no secretismo influenciadas pelo misticismo quando por força das circunstâncias, isolados e sem dinheiro para irem ao médico se viam obrigadas a recorrer a certas figuras dadas a trabalhos ocultos. Eram os chamados de curas, curandeiros ou bruxos.
Sabe-se que apesar da ignorância que caracterizava grande parte das pessoas, uma em cada cinco famílias, possuía um romance e algumas até o livro de São Cipriano. O que me leva a crer que os mais eruditos aprendiam com os seus, os serviços que o estado não tinha para lhes dar. Um País que apostava mais no sector terciário, excluindo assim a população da sua evolução remetendo-a ao analfabetismo.
Apesar disso, ou por via disso, João descobriu um caminho menos próprio, o que menos se espera encontrar, comparativamente à vida da maioria das gentes das aldeias do Montemuro. Gente de trabalho, de bem consigo e com os outros. Gente de convicções, dotada de valores que vinham de raiz, como se ali residisse para todo o sempre a luz que lhes indicaria o caminho a seguir. No rosto, os traços vincados tal como a projeção do olhar, sempre direcionado para a terra, e a par com a terra, e sabedores do único conhecimento que consiste em decifrar a força anímica que brota das suas profundezas.
É esta força que dá as formas ao rosto. Deste modo, os traços são idênticos aos trilhos pisados e recalcados pelos nossos passos na subida íngreme da serra. Existe uma vontade de contornar com os nossos próprios dedos, todas as rugas, para um conhecimento existencial das nossas próprias mãos. Têm todos um olhar bem definido, caracterizado por um olhar benevolente que deixa marcas para além do tempo(...)
Dolores Marques in "Coração da Terra" (a editar)
Sabe-se que apesar da ignorância que caracterizava grande parte das pessoas, uma em cada cinco famílias, possuía um romance e algumas até o livro de São Cipriano. O que me leva a crer que os mais eruditos aprendiam com os seus, os serviços que o estado não tinha para lhes dar. Um País que apostava mais no sector terciário, excluindo assim a população da sua evolução remetendo-a ao analfabetismo.
Apesar disso, ou por via disso, João descobriu um caminho menos próprio, o que menos se espera encontrar, comparativamente à vida da maioria das gentes das aldeias do Montemuro. Gente de trabalho, de bem consigo e com os outros. Gente de convicções, dotada de valores que vinham de raiz, como se ali residisse para todo o sempre a luz que lhes indicaria o caminho a seguir. No rosto, os traços vincados tal como a projeção do olhar, sempre direcionado para a terra, e a par com a terra, e sabedores do único conhecimento que consiste em decifrar a força anímica que brota das suas profundezas.
É esta força que dá as formas ao rosto. Deste modo, os traços são idênticos aos trilhos pisados e recalcados pelos nossos passos na subida íngreme da serra. Existe uma vontade de contornar com os nossos próprios dedos, todas as rugas, para um conhecimento existencial das nossas próprias mãos. Têm todos um olhar bem definido, caracterizado por um olhar benevolente que deixa marcas para além do tempo(...)
Coração da Terra
(...)
Tudo agora era um todo constituído por uma série de ecos indefinidos. Organizavam-se com tamanha euforia, que se dispunham os sons dispersos, sob tal zombaria, uns e outros pelo matagal. Até os aromas provocados pelas raízes já estraçalhadas que a monte se erguiam, e estas por sua vez pareciam amantizadas quando inseminadas por um conjunto de incensos a incensarem os corpos já cansados e abandonados no meio dos tojos(...) Cont
Dolores Marques in "Coração da Terra" a editar
Foto: Dolores Marques
Tudo agora era um todo constituído por uma série de ecos indefinidos. Organizavam-se com tamanha euforia, que se dispunham os sons dispersos, sob tal zombaria, uns e outros pelo matagal. Até os aromas provocados pelas raízes já estraçalhadas que a monte se erguiam, e estas por sua vez pareciam amantizadas quando inseminadas por um conjunto de incensos a incensarem os corpos já cansados e abandonados no meio dos tojos(...) Cont
Dolores Marques in "Coração da Terra" a editar
Foto: Dolores Marques
sexta-feira, 12 de junho de 2015
"AS NOSSAS RAÍZES O PASSADO E O PRESENTE" um Livro de Celeste Almeida
"O livro AS NOSSAS RAÍZES O PASSADO E O PRESENTE tem em cada letra um sentimento, em cada palavra uma emoção e no seu todo um oceano de afetos.
O amor sentido nas raízes da terra, o sabor oculto nas águas do Paiva e o aroma exalado nos urzais foram o alimento do miolo da obra.
A Serra do Montemuro foi a minha inspiração, e escrever este livro foi o culminar de um sentimento de gratidão para com todo o Povo Montemurano, pois desde sempre, me acolheu como filha deste chão.
Conto convosco, meu Povo, meus Conterrâneos Mangualdenses e meus Amigos, dia 11 de julho , no Centro Municipal de Cultura. Brevemente, levantarei o véu das diversas atividades que darão cor àquele espaço cultural." Celeste Almeida
O amor sentido nas raízes da terra, o sabor oculto nas águas do Paiva e o aroma exalado nos urzais foram o alimento do miolo da obra.
A Serra do Montemuro foi a minha inspiração, e escrever este livro foi o culminar de um sentimento de gratidão para com todo o Povo Montemurano, pois desde sempre, me acolheu como filha deste chão.
Conto convosco, meu Povo, meus Conterrâneos Mangualdenses e meus Amigos, dia 11 de julho , no Centro Municipal de Cultura. Brevemente, levantarei o véu das diversas atividades que darão cor àquele espaço cultural." Celeste Almeida
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